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Orcas em cativeiro: vale mesmo a pena?



No mês de fevereiro o mundo recebeu consternado a notícia da morte da treinadora Dawn Brancheau, de 39 anos, atacada por uma orca ao final de uma sessão de treinamento. Com ampla experiência no treinamento de orcas e golfinhos, Dawn Brancheau foi agarrada pela cabeça, levada ao fundo da piscina e acabou morrendo por afogamento e em decorrência de severos traumas e lacerações provocados pelos dentes da orca.

O animal responsável pelo ataque era chamado Tilikum, um macho capturado na costa da Islândia em 1983. Vivendo em cativeiro há quase 30 anos, Tilikum é o maior macho do plantel do parque SeaWorld, na Flórida, especializado em shows com cetáceos. O incidente com a treinadora não é novidade no “currículo” do animal: duas outras pessoas já morreram vitimadas por seus ataques.

Após mais esta fatalidade, a pergunta que persiste no ar não diz respeito à suposta motivação do cetáceo para o ataque, nem tampouco se este animal deve ser sacrificado ou libertado. Devemos, nesse momento, nos questionar se vale a pena manter um animal de cinco toneladas - que, em estado selvagem, costuma nadar mais de 150 Km por dia- cativo em uma piscina, onde só lhe resta nadar em círculos. Vale mesmo a pena manter confinado um animal cujo sentido mais aguçado-a ecolocalização- fica completamente bloqueada em um tanque circular sem relevo e sem obstáculos?

Durante séculos os seres humanos utilizam animais capturados da natureza como expediente de entretenimento. Nos últimos anos, grupos de defesa dos direitos dos animais têm debatido e formulado políticas públicas que regulem o uso de animais selvagens em espetáculos. A utilização de animais em circos, por exemplo, já está totalmente proibida em vários estados brasileiros sem que isto acarrete no desaparecimento da tradição circense. O Cirque du Soleil é a maior prova de que é possível se manter viva e atual a chama do circo sem recorrer à utilização de animais amestrados.

Na alvorada do século XXI, com a emergência de tecnologias que seriam consideradas miraculosas se conhecidas há três décadas atrás, nós, seres humanos, podemos avaliar melhor a verdadeira necessidade de manter cativos animais selvagens apenas para nosso deleite e divertimento. O caso Tilikum não foi o primeiro, mas bem que poderia ser o último.