|
Dentre todas as localidades afetadas, o drama sofrido pela comunidade do Morro do Bumba, em Niterói, mobilizou a opinião pública pelas circunstâncias em que ocorreu. Esta comunidade foi erguida sobre um antigo depósito de lixo. Não um aterro sanitário, como seria adequado para uma cidade do porte e importância do município de Niterói, antiga capital do estado do Rio de Janeiro (à época, a capital federal era o Distrito Federal, localizado no atual município do Rio de Janeiro), mas um lixão, um simples acúmulo de lixo a céu aberto.
Além de todos os problemas decorrentes do descarte inapropriado dos resíduos domésticos, agravava a situação este acúmulo acontecer em uma encosta, e não em uma área plana. Por si só, este fato já configurava o risco de desmoronamento. Em meados da década de 80 o depósito foi abandonado, e logo em seguida começou a ocupação irregular. O déficit de moradias urbanas levou a população carente a erguer moradias sobre o substrato inconsolidado formado pelo lixo despejado ao longo dos anos. A despeito do mau cheiro e das condições insalubres, mais e mais pessoas foram somando-se à comunidade e o número de casas aumentou.
Uma vistoria realizada pelos órgãos competentes verificou, há alguns anos, a presença de chorume vertendo da base da maioria das construções do local, o que apontava para o fato de que grande parte da matéria orgânica presente continuava em processo de decomposição. De modo semelhante foram detectados bolsões de gás metano no subsolo. Este fato configurava um risco iminente.
Igualmente oriundo da decomposição do lixo, o gás metano é altamente inflamável. Em grandes concentrações, é possível a ocorrência de combustão espontânea. No início do mês de abril, durante uma das chuvas mais intensas já registradas no estado do Rio de Janeiro, o solo do Morro do Bumba tornou-se encharcado como nunca antes. O aumento do peso sobre o substrato pode ter provocado o deslocamento dos patamares onde estavam assentadas algumas das moradias e acabado por forçar os bolsões de gás metano para a superfície. Alguns moradores do local relataram a ocorrência de um forte estrondo, antes do desmoronamento. Segundo especialistas em geologia, este estrondo pode ter sido provocado pela liberação do gás acumulado no subsolo. Em decorrência deste evento, uma enorme parcela do terreno veio abaixo, soterrando dezenas de residências, algumas delas com os moradores em seu interior.
Este lamentável ocorrido chama a atenção para a necessidade de se descartar o lixo das cidades de maneira adequada. Em áreas de grande concentração urbana, a construção de aterros sanitários é uma necessidade primordial, não só para evitar a contaminação ambiental, mas para assegurar que os resíduos líquidos e gasosos – chorume e gás, respectivamente- sejam recolhidos ou consumidos de modo a manter a segurança das populações do entorno.
A responsabilidade de cada um de nós, que não deve ser esquecida, é a de cuidar para reduzir a geração de lixo a um mínimo necessário. Do mesmo modo, muitas vezes é possível separar o lixo em materiais recicláveis e matéria orgânica – que pode ser convertida em composto. Isto reduzirá a quantidade de resíduo descartado e ajudará a minimizar os problemas relacionados.
Você sabe como o lixo da sua cidade é descartado? Procure descobrir, junto com seus alunos, o destino do lixo doméstico e discuta alternativas que possam tornar o seu ambiente mais seguro e mais saudável.
|