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Sexualidade na sala de aula: proteção ou estímulo?
Apesar de muitos professores chamarem a adolescência de “aborrescênia”, em função dos problemas e aborrecimentos que os alunos dessa faixa etária costumam causar aos professores, a adolescência, sem dúvida alguma, é uma etapa maravilhosa da vida e deve ser vivenciada plenamente pelo adolescente. Ela corresponde a uma etapa intermediária do desenvolvimento humano, entre a infância e a fase adulta, sendo um período marcado por diversas transformações corporais, hormonais e comportamentais. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência começa aos 10 e vai até os 19 anos, mas não se pode definir com precisão seu começo e seu fim, já que o início e a velocidade das transformações variam de indivíduo para indivíduo.
Durante a adolescência o indivíduo sofre uma série de transformações no corpo, como a mudança da voz, o aparecimento de pelos pubianos e a primeira ejaculação nos meninos, e o desenvolvimento dos seios e o princípio do ciclo menstrual nas meninas. Com todas essas mudanças, é natural que os adolescentes tenham curiosidades e dúvidas sobre o momento que estão vivendo, principalmente sobre sua própria sexualidade. Mas qual deve ser o papel da escola e do professor neste contexto?
Em muitas famílias, conversas sobre sexo e sexualidade se transformaram em tabu. Os pais, muitas vezes, não se sentem a vontade para tratar do assunto com os filhos, em alguns casos por receio de incentivar uma sexualidade precoce. Os filhos, da mesma forma, também têm vergonha de falar sobre o assunto com os pais. Dentro deste contexto, a escola deve ser um espaço privilegiado para esse tipo de discussão, na medida em que nela o aluno está no meio de seus colegas e do professor, figura a quem normalmente depositam confiança.
Mas diante dos altos índices de gravidez na adolescência e do aumento da incidência de doenças sexualmente transmissíveis, uma questão se coloca: discutir este tema na sala de aula não seria uma forma de promover um contato prematuro do adolescente com a sexualidade? Para a maioria dos especialistas, não. O conhecimento sobre sexo, quando não vem da escola, acaba chegando por outros meios, como a mídia. Muitas vezes, a programação e o conteúdo dos meios de comunicação estimulam a sexualidade dos jovens. Seja nas músicas, novelas ou programas de televisão, a mídia não debate essa questão de forma equilibrada. Assim, é melhor que a escola aborde este tema com seus alunos, pois tratará o sexo de uma maneira mais pedagógica e correta, evitando que eles tenham comportamentos errados. Quanto mais informações os adolescentes tiverem sobre o sexo, sobre as mudanças que estão acontecendo no corpo deles e sobre os riscos que o sexo representa, mais bem informados eles estarão e assim terão maiores chances de tomar as melhores decisões.

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